segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

As manifestações, os grupos rivais e Deus

As manifestações deste domingo, 4 de dezembro, oferecem oportunidade para reflexões interessantes. Primeiro, que não compareceu gente suficiente para traduzir toda a indignidade que se queria demonstrar. Era para aglutinar milhões de brasileiros, mas só muitos milhares foram às ruas.

Outro aspecto: o efeito didático. Há fortes evidências de que o "povo em geral" queria ensinar à outra turma como se organiza uma manifestação contra o governo. Domingo, para indicar que os participantes são todos trabalhadores. Pelo mesmo motivo, não causou maiores transtornos a quem optou por abster-se, portanto, foi mais simpática. Foi fartamente decorada com as cores e a bandeira do Brasil, para demonstrar que se tratava de um ato patriótico. Foi pacífica. A polícia apenas assistiu, sem necessidade de interferir.

Nesse particular, é forçoso reconhecer que tudo isso oferece motivos para a outra turma firmar seu entendimento de que os "bandalheiros" são “agentes infiltrados”, com a finalidade de denegrir seu movimento.

Ora, o ordenamento jurídico brasileiro estabeleceu que a responsabilidade pelo dano é caracterizada por aspectos subjetivos,  o dolo e a culpa. Há dolo quando o agente teve a intenção de alcançar o resultado. Portanto, se a outra turma não queria vandalismo durante suas manifestações, é inocente pelas depredações ocorridas na última terça-feira, 29 de novembro. Culpa, é quando, ainda que não haja a intenção, há uma consequência danosa para alguém. Nesse caso, se a bandalheira foi mesmo praticada por “agentes infiltrados”, a turma do dia 29/11 tem culpa, por não ter conseguido anular a ação daqueles malfeitores.


Finalmente, as manifestações de 29/11 e 4/12 demonstraram que há dois grupos querendo salvar um navio prestes a afundar. Cada um deles propõe uma metodologia diferente e discorda com a do outro. Cada um desses grupos defende um grupo diferente de malfeitores da pátria, e condena os defendidos pelo grupo rival. E, enquanto cada facção vai pondo a culpa pelas suas mazelas na outra facção, os abutres vão aguardando o momento de resgatar os corpos e se apoderar da carga.

É de se imaginar que Deus, na sua infinita sabedoria, assistindo a tudo, faça como Pilatos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário